Pular para o conteúdo principal

Amigos

“E agora eu era herói...”
Só pra constar, ando falando muito que quero fazer as coisas se constarem. Acho que preciso afirmar algo. Fazer notar-se. Perceber-me vivo.


Olhando pro meus pés eu via o rio. Olhando para cima o céu. Olhando para frente o vazio. Meus pés balançavam naquele precipício e, de longe, eu apenas observava. Eu via dois seres, de certa forma alegres e joviais. Eu não os conhecia, mas me eram familiares. Acho que eu não sabia que os conhecia.
Um deles era um garoto, uma criança, quase um bebê. Carregava um luz, um sorriso, uma alegria de viver que era digna dos filmes, daqueles ainda em preto e branco, aqueles que sabiam colorir a vida de quem os assistiam.
Ele não estava sozinho, corria e brincava com uma menina, de cabelos pretos, caídos por sobre o rosto, e apesar do sorriso, trazia no olhar aquele brilho de quem acabara de parar de chorar, redescobrindo a vida como algo incrivelmente belo, bonito e apaixonante. Eu tinha inveja dela. Tinha inveja dele.
Há tempos já não via a vida assim. Já não me apaixonava. Viver era apenas fazer aquilo que os outros esperavam que eu fizesse, de tal forma, que acabara esquecendo aquilo que eu realmente queria fazer. Havia perdido a minha luz. Na falta da luz, a criança que sempre fui, sai para brincar sozinha e fiquei aqui, sentado, nesse abismo.
Olho pro lado e encontro uma velha amiga. Ela também está sentada, ela também balança os pés. Mas ela não olha pra baixo ou pra cima, apenas pro horizonte. Como se sonhasse, como se quisesse sonhar. Seus olhos não sabem o que é choro. A dor de seu olhar toca as estrelas. Suas duvidas deixam a própria duvida perdida. E eu me encontro com as duvidas dela.
Quando volto a sentir o vento, ele me abraça como a criança do meu sonho um dia havia me abraçado. E me rodopia, eu rodopio e acabo encostado nos ombros dessa amiga. E ela nos meus ombros.
A vida, lá embaixo, passa rápida, correndo, alegre e traiçoeira. Daqui de cima, observo. Observamos. Ela quer parar de chorar. Eu quero voltar a sorrir. Ela quer voltar a se ver no espelho, eu quero apenas voltar a ver o espelho. O mundo me abandonou. E quero minha criança de volta.

Comentários

Ana B. disse…
acho que é época de nostalgiaaa
li outros posts por aí, de saudades de ser criança
e tenho saudades tb

x)
Bonito, cara. Muito bonito. Fiquei arrepiado. Bom tê-lo de volta, mestre.

Um abraço!
Marioh disse…
Eu simplesmente, ou especialmente me vi nessa garota! Eu pude me imaginar encostada no seu ombro, e senti a mesma sensação qe tinha quando a gente conversava por algum tempo. Percebi qe o tempo passa, mas qe o coração é o melhor diário que já inventaram. Ele guarda sentimentos, pessoas e sensações que talvez nunca vamos sentir de novo. E esse texto, fez meu coração vibrar com uma sensação qe há muito não sentia. Muito bom! Suas mãos são as armas do seu coração, vcê escreve tão bem, qe eu não me canso de ler seus posts. *-*

teadoro, beeeijo
Marioh disse…
P.S.: eu não me canso de ler esse texto. Mexeu muito comigo.
"Eu não sei parar, de te olhar.
Eu não sei parar...."

Eu não me canso.

Postagens mais visitadas deste blog

Amanha ao acordar Quero teu hálito no meu rosto. Sentir teu cheiro quente, Ainda debaixo do edredom. Quero me sentar ao lado da cama, Abrir um pouco a janela, Deixar a claridade da alvorada banhar de leve teu corpo nu. E Observar... Quero te acordar com um beijo, Ver seu olho abrindo devagar, E o sorriso brotando de sua boca. Sentir teu beijo quente e terno. Te dizer bem vinda. Desejar-te um bom dia. Este é apenas o começo de nossas vidas.

Descrente

É parte da evolução se acostumar com a dor? O tempo está passando e aquela dor que antes eu só conseguia não sentir quando evitava respirar só aparece de vez em quando, ou eu simplesmente quase não a percebo mais. Estranho! Acho que não me acostumei, apenas aprendi uma forma de evitar ou de barrar... Sinto-me esquisita cada vez eu ela tenta romper meu coração ou expulsar lágrimas dos meus olhos. Eu sei que aprendi a evitar coisas que podem acordar-la e também algo em que possa gerar dor pior que essa. Nunca acreditei em histórias de amor mal acabadas. Sempre confiei que todos esses romances mal sucedidos eram fantasia de quem nunca havia sentido borboletas no estômago. Como era saudável essa minha fantasia. Que inocência! Uma criança que acreditava em príncipes, ainda habitava em mim. Ao mesmo tempo em que sinto necessidade de alguém comigo, sinto que não tenho nada a oferecer. Que ao meu lado eu coloquei uma armadura, nada pode sair de mim. Sinto-me pequena diante de tudo que vivi nes...