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Um poema que merecia um Título. (aberto a sugestões)

O vento sopra longe, leve, vadio.
O frio beija minha face,
Na esquina, vejo a morte brincar com a vida.
O sol, ainda em duvida se é noite ou dia.
Enquanto a lua, arredia, espera o sol levantar,
E lhe diz: Bom Dia.

À minha volta, sábios sabiás a cantar.

Do lado de dentro.
O sol insiste em não bater.
Maldigo o telhado que o impede.
Deitado ainda, tento entender o frio que aflige.
Por sobre o edredom, sinto minha pele queimando,
Enquanto me contorço com um frio que não consigo explicar.
Levanto, termômetro, espero, temperatura normal.
Medo.
Esse frio me lembra a dor de perder quem se ama.
Mas não amo, não perco.
Me sinto então como se fosse o frio da saudade.
Mas não há de quem sentir saudades.
As ilusões se foram junto com os amores.
Ou os amores que se foram junto com ilusões.
Não importa, ambos foram,
E fiquei sozinho.
Descobri que mentiras sinceras, nem sempre, interessam.
E que aquilo de antes só do que mal acompanhado
Deve ser seriamente repensado.
Mas não por mim, não agora.
Continuo só.
Com frio.
Com febre.
Por dentro.
Meu coração, inflado, inflamado. Cheio.
De vento...

E o vento frio beija minha face,
Um anjo sopra minha face,
Enquanto a morte beija minha nuca...

Comentários

Paula § Danna disse…
Frio no estômago...
Como será o beijo frio da morte?? frio?! o.O

Texto fantástico..
Mas, é estranho te ver dizer que não ama.
Sério..
Saudades!!!
Evelyn Fernandes disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Evelyn Fernandes disse…
Gostei muito do texto, Fer!

Mas, mentiras sinceras ainda me interessam
e por interessarem , sou a favor [ou não, depende do momento] do "Antes mal-acompanhado, do que só" [Sim, exatamente nessa ordem].

Gostaria de saber expressar tão bem algo tão indefinido como o "não sentir" ou o "sentir o não sentir" quanto você! Essa indefinida sensação talvez não lhe permita criar um título. Sim, nada mais honesto.

Fica claro o não sentir definido, nesse trecho:

"Esse frio me lembra a dor de perder quem se ama.
Mas não amo, não perco.
Me sinto então como se fosse o frio da saudade.
Mas não há de quem sentir saudades.
As ilusões se foram junto com os amores.
Ou os amores que se foram junto com ilusões."


Gosto da forma honesta e sincera como expressa isso!

Beijos

Obs.: Recordei-me desse texto:

"...Por favor, uma emoção pequena,
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos, deve ter
Algum que sirva
Socorro, alguma rua que me
De sentido,
Em qualquer cruzamento,
Acostamento,
Encruzilhada,
Socorro, eu já não sinto nada.."

[Arnaldo Antunes]
O Beijo da Morte é bom.

E no pescoço, frio como o é, traz sensações interessantes, difusas, apaixonantemente repugnantes.

Eve,
Obrigado pelos elogios, volte sempre, e sinta-se livre pra dizer o quanto quiser.

E Paulééénha,
Eu também acho estranho,
Muito estranho...
"Mas amanhã, ou depois, tanto faz, se depois..."
Passa, "Tudo passa, tudo passará";
E se não passar, eu sobrevivo.
E se não sobreviver eu passo. #PenseNisso

Beijos, a todas.
Unknown disse…
Esse "antes só do que mal acompanhado" ..só é, tecnicamente falando, bom pra quem esta acompanhado..
pq não há nada mais envolvente do que a solidão..
quando se está só a úlnica coisa que se quer é uma companhia ,
seja ela boa ou naum!

a vida é feita de pessoas ..
o tempo todo se quer pessoas...
se quer alguém ..independente de quem seja!!

bjoOo feh..
muito bOm..
como sempre o minino perfeito..
pelo menos entre linhas!!
Demorei a comentar, né? É que esse texto é uma bofetada, doeu até em mim.

"As ilusões se foram junto com os amores.
Ou os amores que se foram junto com ilusões."

É bem isso, difícil saber quem mata quem nessa história. Como as meninas disseram, incrível tua capacidade de dizer certas coisas, meu caro... A gente fica meio sem graça quando fica sem paixões.

Quanto à minha posição sobre o assunto específico dos relacionamentos homem e mulher, acho que todos já sabem, sempre pensei como o Vinícius de Moraes: "Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão".

continuando a música, então, "Abre os seus braços, meu irmão, deixa cair. Pra que somar se a gente pode dividir? Eu, francamente, já não que nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer"

Texto maravilhoso, meu caro, como sempre.

Um abraço do teu irmãozinho mais novo:

Marcus.
Anônimo disse…
Do frio, as ilusões.

Hum* -q

Ficou foda esse texto, mano...
Nem sabia da sua veia poética.

De caçador a galanteador. -q
hahaha

"Mas não amo, não perco"

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