Pular para o conteúdo principal

Pacato Cidadão


O pacato morador de uma pequena cidade do interior, cansado do silêncio e da mesmice, de comprar o café no mesmo lugar, e ver todo dia as mesmas pessoas, decidiu-se mudar, rumou a cidade grande.
Chegando lá, encantou-se com tamanho fuzuê: era gente pra dar e vender. Tantos prédios, tantas opções  Decidiu explorar tudo que podia. Logo depois de acomodar-se, arrumar emprego, começou: Jamais tomaria café duas vezes no mesmo lugar, ou duas cervejas no mesmo bar.
Em 6 meses, conhecia grande parte da cidade, e uma imensidão de pessoas de sorriso e acenos fáceis, cujos nomes não sabia metade. No trabalho, era famoso pelas indicações de lugares a conhecer, referência sobre aonde ir, se tornou popular, realizou o que sempre quis: novas pessoas todo dia, novos lugares todo dia, novas experiências.
Depois de 1 ano, o pacato morador cansou, a cidade o consumia, sorria a todos no trabalho e nos bares e cafés que conhecia, estava cheio de conhecidos, companheiros de copos e conexões tão profundas quanto um cortado no boteco da esquina. Os que iam mais longe, tinham a profundidade de um copo de cerveja e nomes que duravam uma ressaca, no máximo.
De repente, estava cansado. O pacato cidadão sentia saudade da pacatez. De saber o nome do senhor que o atendia, de perguntar sobre sua filha, sua esposa, e como tá aquele irmão que mudou...
Depois de tanto correr, tanto lutar, o pacato cidadão sentiu saudade do que sempre teve: a profundidade e pacatez do lar. Pacato cidadão morava, mas não tinha lar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

E Se... Inconscientemente...

Eu te amo. Mas, e se, inconscientemente, eu quiser te matar? Acontece... E se, você não me amar, eu te mato dentro de mim. Ok, eu não te amo. Mas, talvez, inconscientemente, eu te deseje. Desejo sua boca vermelha e passo a passo vê-la ficando roxa. E seca. Quereria sua pele quente e fria, suada. E quero te abraçar de lingerie vermelha, ouvindo você sussurrar suas loucuras, meus sonhos, ao pé do meu ouvido. Minhas vontades são fantasias maquiadas. Meus medos são meus maiores desejos. E não ando temendo nada. A não ser as grandes paixões. Desejos, desejos... Palavras e associações. Piadas maldosas de canto de boca e sorrisos desvairados no meio da escuridão. Quero acordar nu com você ao meu lado. Auto-realizações. Auto confiança, Auto-Tudo. É que, no fundo, eu não sei o que sou; o que quero, por que quero e porque faço. E para quem eu o faço. No fundo mesmo, eu só queria fazer sentido. E não faço.

"..."

E eis que renasce. Melhor, eis que renasci. Acordei disposto a mudar o mundo, mudar tudo. Acordei e me lembrei do que sou. Acordei livre, solto, novamente apaixonado. Preso e louco de paixão. Paixão por mim, pela vida, pela liberdade, pelo prazer, pela dor de se viver. Paixão por tudo, sem, necessariamente, estar apaixonado por “você”. Até porque, hoje estou original, como aquilo que remete a origem, e, na boa origem de que venho e da qual sou fruto (no sentido daquilo que sou e vivo hoje) nunca houve alguém no lugar do “você”. E, quando houve, nem sempre os que existiram me fizeram tão bem quanto eu me sinto hoje. Quanto como sempre me senti e que pouco a pouco me perdi. Não escrevo esse texto com um destinatário, e nem o remetente mesmo sou eu. Escrevo como um desabafo, ou, como o ápice de um caminho, o clímax que se revela no final, após as letras subirem. Desci e desci e continuei descendo. Desci tanto que estou mais alto hoje do que jamais estive. Precisei me perder comp...