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Rascunho: Viver é morrer a cada dia um pouco

Tem uma semana que não durmo. E cada noite parece ser pior que a anterior. Minha vontade é de simplesmente gritar. Gritar tanto até simplesmente deixar de existir.

Eu consigo ser forte e segurar a barra durante o dia... Mas a noites é meu demônio particular. E a cada hora desde que acordo, ele espreita no horizonte.

Eu sou a caça, a noite o caçador.

E como a vítima da víbora hipnotizada, paralisada, aterrorizada e com olhos arregalados, eu sei que ele vai chegar à mim, e não há nada que eu possa fazer.

Eu preciso lembrar como é não ter ninguém. Por tanto tempo tivemos um ao outro, que eu me esqueci como é estar sozinho, ser sozinho. E pior, era tão bom ter alguém finalmente, de verdade, depois de tantos anos...

Eu não entendo (...)

Eu não tenho amigos, eu não tenho confidentes, eu não tenho parceiros, eu tenho poucas relações significativas, eu não tenho ninguém com quem contar, conversar, desabafar e desabar de verdade.

Se eu sair dessa, espero nunca mais me apoiar em ninguém. Porque não importa o que você faça, não importa o quão certo faça, no fim, todos vão embora, e você voltará a estar sozinho.

Viver é morrer cada dia um pouco, até deixar de morrer, deixar de viver.

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